Chamada de Tilly Norwood, a invenção apresenta claras limitações, sendo mais um exemplo do hype da inteligência artificial
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O uso da inteligência artificial na indústria cinematográfica voltou a ser tema em Hollywood após o lançamento de uma atriz gerada pela tecnologia. Tilly Norwood foi criada pela empresa Xicoia, que se autodenomina o primeiro estúdio de talentos com IA do mundo.
A novidade provocou uma série de críticas de associações, atores e cineastas. Mas essa reação parece ter surtido o efeito contrário do esperado, com a invenção ganhando ainda mais popularidade nos últimos dias.

Tilly Norwood criou uma polêmica em Hollywood
- Tilly Norwood foi apresentada oficialmente pela produtora e comediante holandesa Eline Van der Velden durante o Zurich Summit, evento paralelo ao Festival de Cinema de Zurique.
- Ela disse que agências de talentos estavam de olho na atriz e que esperava anunciar uma contratação em breve, embora isso ainda não tenha acontecido.
- Em resposta, o sindicato de artistas dos Estados Unidos (SAG-AFTRA) afirmou que a IA não deveria ocupar espaço de destaque na profissão.
- Segundo a entidade, “a criatividade é, e deve permanecer, centrada no ser humano”.
- O texto deixa claro que Tilly Norwood “não é uma atriz”.
- E observa que trata-se de uma personagem gerada por um programa de computador treinado com base no trabalho de inúmeros artistas profissionais, sem permissão ou remuneração.
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Limitações são claras, mas isso pode não importar tanto assim
Mas isso não quer dizer que a invenção realmente possa atuar em filmes no futuro ou mesmo interagir de fato com as pessoas. De acordo com a publicação, trata-se apenas de um avatar animado cujos movimentos e fala são gerados por um modelo de IA treinado em imagens de pessoas reais.

Apesar das claras limitações, este é mais um exemplo do hype da inteligência artificial. Mesmo que Tilly Norwood nunca consiga desempenhar as funções para qual foi criada, a atriz virtual tem sido convidada para diversas entrevistas nos últimos dias. O caso também incentivou o produtor italiano Andrea Iervolino a desenvolver um diretor de IA projetado para “celebrar a linguagem poética e onírica do grande cinema europeu”.
Alessandro Di Lorenzo é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua na área desde 2014. Trabalhou nas redações da BandNews FM em Porto Alegre e em São Paulo.
Bruno Capozzi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, tendo como foco a pesquisa de redes sociais e tecnologia.
Fonte ==> Semanário SC