A cápsula Orion, da missão Artemis II, retornou à Terra nesta sexta-feira (10) após completar uma viagem de cerca de 1,1 milhão de quilômetros pelo espaço, encerrando com sucesso a missão que marcou o retorno do homem à órbita da Lua após mais de meio século.
A cápsula amerissou com sucesso no oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos. O contato com a água marcou o fim da missão e foi recebido com alívio por equipes da Nasa e pela própria tripulação. Segundo a agência espacial americana, o pouso ocorreu de forma estável após a abertura sequencial dos paraquedas, que reduziram a velocidade da cápsula de níveis supersônicos para menos de 30 km/h antes do impacto com o mar.
Veja abaixo a chegada da cápsula Orion:
Minutos antes, a nave havia atravessado o momento mais crítico de todo o retorno: a reentrada na atmosfera. Durante cerca de seis minutos, a cápsula permaneceu incomunicável com a Terra no chamado “apagão”, causado pela formação de plasma ao redor do veículo devido às temperaturas extremas geradas pelo atrito com a atmosfera.
Nesse trecho, a Orion atingiu velocidades próximas de 40 mil km/h e enfrentou temperaturas externas estimadas em cerca de 4.000 °C. Os astronautas também foram submetidos a forças de até quase quatro vezes a gravidade.
A comunicação com a cápsula foi restabelecida logo após o fim do apagão, em meio às comemorações no centro de controle da missão, nos Estados Unidos. Em seguida, os paraquedas foram acionados em sequência – incluindo sistemas auxiliares e principais – até desacelerar completamente a nave para o pouso no mar.
Com a amerissagem concluída, equipes de resgate iniciaram os procedimentos para recuperar a cápsula e garantir a segurança da tripulação. Após a amerissagem, o comandante da missão, Reid Wiseman, confirmou que todos os tripulantes estavam em boas condições. “Que jornada. Estamos estáveis. Quatro tripulantes em sinal verde”, afirmou. Após a retirada da cápsula, os astronautas devem passar por avaliação médica antes de serem transferidos para o navio de apoio da Marinha dos Estados Unidos.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, classificou o retorno da missão Artemis como um sucesso completo. Segundo ele, a missão representa um marco não apenas para a agência espacial americana, mas para toda a humanidade. “Há muito o que celebrar agora”, disse.
Como foi a missão Artemis II
A missão Artemis II foi lançada no dia 1º de abril, a partir do Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, e durou dez dias. Este foi o primeiro voo tripulado do programa Artemis e o primeiro envio de humanos além da órbita terrestre baixa desde a missão Apollo 17, em 1972.
A bordo da cápsula Orion estavam os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Após o lançamento no dia 1º, a nave realizou duas órbitas ao redor da Terra antes de iniciar a trajetória rumo à Lua, em um percurso que levou cerca de quatro dias.
No ponto de maior aproximação do satélite natural da Terra, no último dia 6, a cápsula realizou um sobrevoo de cerca de seis horas ao redor da Lua, passando a aproximadamente 6.500 quilômetros da superfície. A missão não previa pouso, mas permitiu uma série de observações e testes em voo tripulado de longa distância.
Durante o sobrevoo, os astronautas acompanharam um eclipse solar total com duração próxima de uma hora e registraram imagens do lado oculto da Lua. A missão também estabeleceu um novo recorde ao atingir a maior distância já percorrida por seres humanos em relação à Terra, superando marcas anteriores do programa Apollo.
A missão Artemis II marca um passo decisivo no programa lunar da Nasa e abre caminho para novas etapas da exploração espacial, incluindo futuras missões tripuladas com pouso na superfície da Lua.
Fonte ==> Gazeta do Povo