Artemis 2: entenda por que os trajes dos astronautas são laranja

Artemis 2: entenda por que os trajes dos astronautas são laranja

Os astronautas da missão Artemis 2, da NASA, não passarão despercebidos ao embarcar na primeira viagem tripulada à Lua desde 1972.

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Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen usarão trajes em um tom específico conhecido como International Orange (Laranja Internacional, em tradução livre), uma escolha que vai além da estética e carrega funções práticas e históricas, como aponta o The New York Times.

Quando a tripulação caminhar pela pista do Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA), antes do lançamento, estará vestindo os trajes laranja vibrantes. E, ao retornar cerca de dez dias depois, após circundar a Lua e viajar mais longe no espaço do que qualquer humano já foi, serão esses mesmos trajes que marcarão visualmente o momento histórico.

Design chamativo e funcional para a Artemis 2

  • Embora boa parte da atenção recente tenha se voltado aos trajes brancos para caminhadas espaciais desenvolvidos pela Prada em parceria com a Axiom Space, são os trajes laranja da Artemis 2 que devem chamar mais atenção — intencionalmente;
  • Comparados a outros designs contemporâneos, os trajes seguem uma linha visual marcante;
  • Se os uniformes da SpaceX evocam um estilo futurista sofisticado, os da Blue Origin têm um ar de “cowboy espacial”, os da Artemis 2 se aproximam mais de um visual que remete a super-heróis, diz o Times;
  • Produzidos sob medida para cada astronauta, os trajes funcionam como sistemas de suporte à vida em miniatura, permitindo que seus usuários sobrevivam por até 144 horas, se necessário;
  • O design inclui faixas refletivas em azul-claro que formam um “V” no torso e contornam coxas e braços, destacando a mobilidade das articulações;
  • Esses elementos não são apenas decorativos. O “V” indica pontos externos que podem ser usados por equipes de resgate para agarrar os astronautas;
  • Já compartimentos azuis, semelhantes a baterias externas, armazenam equipamentos, como coletes salva-vidas e cilindros de oxigênio de reserva.

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Escolha do “International Orange”

O tom utilizado, oficialmente classificado como AMS Standard 595 cor #FS 12197, é descrito como um “laranja avermelhado vívido”, mais intenso do que o laranja fluorescente ou o de cones de trânsito. A cor foi escolhida justamente por sua alta visibilidade contra o azul do céu e do oceano.

“A cor laranja é a combinação do vermelho e do amarelo, duas cores altamente energéticas e visíveis. É percebida como a cor da urgência, que exige ser vista”, explicou Leatrice Eiseman, diretora executiva do Pantone Color Institute.

Origem e uso histórico


Embora já fosse utilizado na indústria marítima, o International Orange ganhou notoriedade na década de 1930, quando o arquiteto Irving Morrow escolheu a cor para a Ponte Golden Gate, garantindo maior visibilidade da estrutura.

Em 1947, a Marinha dos Estados Unidos passou a usar o tom em fuselagens de aviões, mesmo ano em que Chuck Yeager quebrou a barreira do som com o avião-foguete Bell X-1, também pintado na cor.

Na década de 1970, a Força Aérea adotou o laranja em trajes pressurizados de alta altitude, facilitando operações de resgate no mar. O uso pela NASA veio após o desastre do ônibus espacial Challenger, em 1986, quando a agência passou a buscar medidas adicionais de segurança.

Até então, os trajes utilizados em lançamento e reentrada eram brancos. No entanto, a eficácia do laranja em situações de busca e resgate levou à adoção da nova cor a partir de 1988. Esses trajes ficaram conhecidos como “pumpkin suits” (“trajes de abóbora”), devido ao formato volumoso e pouco ajustado.

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Os modelos atuais diferem significativamente dos antigos. Se antes tinham aparência disforme, hoje são ajustados ao corpo dos astronautas e apresentam um visual mais sofisticado e tecnológico.

Ainda assim, mantêm a principal característica que motivou sua criação: a visibilidade extrema em situações críticas. Mais do que um elemento estético, o International Orange é uma ferramenta de segurança — e, agora, também um símbolo visual de uma nova era da exploração lunar.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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Fonte ==> Semanário SC

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